“ A vida mental do bébe é despertada e animada pelo desejo entusiástico, a paixão dos pais. Senão existir um investimento parental, a mente do bébe não se desenvolve…o instinto de vida esmorece…é uma sobrevivência apática e abúlica…”

Georges Mauco (1978)

domingo, 8 de abril de 2012

Terapia de casal

As relações amorosas provocam muitas vezes insatisfação aos seus membros, quer pelo arrefecimento de sentimentos quer pelo desgaste contínuo provocado pelas exigências familiares e profissionais.

O sentimento de não se ser tão próximo ou tão compreendido e gostado como antes pode levar a um afastamento e aumento dos conflitos entre o casal, parecendo antes que os seus membros amadureceram em sentidos opostos, não reconhecendo o parceiro por quem se apaixonaram. É possível que aumentem os desacordos e se alterem necessidades ou ambições, o que progressivamente vai justificando maior afastamento e eventualmente a ruptura.

Contudo, há muitas vezes o desejo e a esperança de resgatar os sentimentos iniciais, a cumplicidade e o romance que se foi perdendo com o tempo. As tensões e vivências negativas que entretanto se acumularam podem dificultar este trabalho, pelo que é necessário recorrer à Terapia de Casal, como forma de restabelecer os laços e prevenir novas crises.
É frequente encontrarmos sintomas e problemas de saúde física associados ao mau funcionamento da relação, com impacto noutras esferas da vida, nomeadamente a nível profissional e na relação com os filhos. Entre eles a depressão, ansiedade, descontrolo emocional, insónias, desorganização e diminuição na produtividade laboral são os mais frequentes.

 A Terapia de Casal é um serviço de apoio e aconselhamento destinado aos casais que, tendo ou não dificuldades específicas, pretendem trabalhar na melhoria da relação ou na exploração quanto à viabilidade da mesma.

A Terapia de casal permite ao casal compreender as razões do seu desacordo. As sessões proporcionam um ambiente de dialogo aberto em que cada individuo pode expressar os seus sentimentos e necessidades, escutar e ponderar de forma diferente sobre as razões do outro.

O terapeuta auxilia na identificação de factores conscientes e inconscientes que provocam o mal-estar e na avaliação dos recursos disponíveis para resolver a discórdia. Procura-se colaborar com vista a encontrar soluções satisfatórias para ambos.

Durante as sessões o psicoterapeuta vai atendendo não só ao motivo da procura de ajuda mas também às necessidades cambiantes de cada um dos parceiros para que restabeleçam vínculos maduros, duradouros e satisfatórios para ambos. Através do trabalho terapêutico os casais vão conseguindo aceitar mutuamente as diferenças e implementar as mudanças necessárias ao seu bem-estar.

A terapia de casal pode ajudar sempre que: 
  • Existam dificuldades de comunicação entre o casal e ou discussões frequentes
  • Quando um dos parceiros foi infiel e o casal tem dificuldade em lidar com a situação
  • Sentimentos de desconfiança ou situações de infidelidade
  • Quando ambos sentem que estão próximos da ruptura  
  • Quando existem conflitos motivados por ciúmes  
  • Quando a rotina fez desaparecer a paixão  
  • Insatisfação ou dificuldades no relacionamento sexual 
  • Quando existem conflitos persistentes de qualquer tipo  
  • Insatisfação com a qualidade da relação amorosa 
  • Afastamento de um ou ambos os parceiros
  • Situações críticas (morte, doença grave, desemprego, infertilidade)
  • Dificuldades e incongruências na educação dos filhos
  • Dificuldades no relacionamento com as famílias de origem
 O bem-estar dos seus filhos é afectado pela qualidade do seu casamento. Quando o pai e a mãe têm uma relação amorosa feliz, os filhos crescem também mais felizes.

Procure ajuda de um terapeuta de casal e dê à sua relação, e à sua família uma nova oportunidade! 

A infidelidade dos pais vivida pelos filhos


Descobrir que o pai trai a mãe ou o contrario é uma situação aterradora para qualquer criança ou adolescente e até mesmo para um adulto. O conflito de lealdade aparece misturado com a mágoa e com a raiva. O pai traiu a mãe (ou o contrário), mas se o filho ou filha for adolescente, também se sente traído. Na adolescência é necessário os pais terem uma relação sólida para darem segurança ao jovem. Se a traição acontecer numa fase em que o pai é muito importante e idealizado, então é um desgosto enorme para a criança, pelo seu egocentrismo pode até pensar que a culpa foi sua. Portanto, é sempre uma situação que envolve muito sofrimento seja qual for a faixa etária do filho ou filha.  
Optar por não contar põe o adolescente numa situação em que se sente que está a trair o pai ou a mãe. Se conta, está a trair o progenitor que cometeu o acto e a situação não é melhor. Este conflito é comum em situações que me tem chegado ao consultório. Em ambas as situações os adolescentes ficam muito abalados emocionalmente, adoecendo por vezes, sem que a família desconfie do que se passa, sobretudo quando esse segredo é guardado a sete chaves no seu interior. Em algumas situações é o medo de perder os pais, perder o seu afecto, que leva a que o adolescente não confronte a família com a situação. Em alguns casos, a traição é consentânea, ou seja, o traído sabe, mas finge que não sabe para preservar a familiar, por dependência económica, por razões que se prendem com o funcionamento interno da pessoa entre outras situações. O único que não sabe é o adolescente.
Dizia-me um dia uma adolescente acerca da traição do pai à mãe “ a minha mãe perdoou mas eu não consigo, como é que eu vou confiar num homem um dia? São todos iguais.”
E é este tipo de dilemas que se levantam. A confiança no progenitor perde-se, o adolescente sente-se traído e preso num conflito que não é seu e o seu futuro amoroso poderá estar comprometido.
Uma mulher adulta em terapia dizia muitas vezes “ eu não consigo suportar a traição, a minha mãe traiu o meu pai durante anos e eu assisti a tudo calada, sofri imenso, mas não queria ficar sem a minha família, mas não suporto olhar para ele, faz-me lembrar o que eu passei”.

O que é dos pais não diz respeito aos filhos, nomeadamente a relação dos dois, é saudável que a relação esteja limitada internamente. No entanto os filhos são sempre muito atentos à relação dos pais, é um modelo para a sua vida futura. Quando um adolescente ou adulto jovem se vê confrontado com a situação de traição do pai ou da mãe e melhor atitude é confrontar o progenitor implicado e imputar-lhe a responsabilidade de resolver ele ou ela a situação. Assim, fica liberto internamente e não guarda para si a responsabilidade do segredo, ou de se sentir desleal com a mãe ou o pai. O ideal seria o traidor resolver a situação da melhor forma. A melhor forma não existe em compêndios, é sempre adaptada á situação, à família e às próprias pessoas. Cada um encontrará a forma mais adequada de resolver o dilema.
Nunca se deve pressionar a (o) jovem a contar. O que acontece muitas vezes é que a descoberta dessa traição é no seio da sociedade, nomeadamente em cidades pequenas em que todos se conhecem. Há sempre alguém, muito bem-intencionado que quase pressiona a(o) jovem a faze-lo. Essa é uma decisão que não compete a terceiros, quanto muito ajudar a perceber sentimentos e libertar o filho(a) dessa responsabilidade. O que se passa entre os pais é deles, embora diga respeito ao filho(a). Fingir que não sabe poderá trazer mais conflitos, por isso confrontar o pai ou mãe é sempre a melhor opção e deixar essa responsabilidade para os dois resolverem. Claro que uma situação de traição na família deixa sempre uma marca nas relações futuras do adolescente. A insegurança nas relações futuras e a desconfiança poderão ser sombras que ficaram dessa altura. Quase sempre a melhor opção é procurar ajuda psicoterapêutica para ajudar a separar e compreender as coisas dois pais das suas. Aconteceu aos pais, não quer dizer que lhe vá acontecer. As pessoas e as situações são diferentes.
Quando a criança é pequena, é diferente. Quase sempre sabe pelo pai ou pela mãe e atribui muitas vezes a culpa a si própria. Isso acontece devido ao seu egocentrismo, próprio da idade e ai cabe ao pai e mãe fazer com que se sinta segura e certa que os pais continuam a gostar dela.  Quando a criança é pequena o que acontece com mais frequência é o pai ou mãe traído tentar desviar a criança do convívio do outro, utilizando a criança para retaliar. Situações dessas devem ser evitadas porque deixam a criança presa no conflito a quem ser leal, alem de muitas vezes atribuírem a culpa a sim nomeadamente se a criança tem menos de 9/10 anos e ainda não consegue descentrar-se de si própria. Nestas idades convêm deixar claro que o pai ou a mãe, caso se separem em consequência da traição, gostam da criança, apesar de não gostarem mais um do outro. Nunca fazer chantagem com a criança e dizer coisas do tipo “ se vais com o pai/mãe já não gosto de ti” ou “ a mãe/pai tem outra pessoa, já não gosta de nós”. São frases deste género, ditas em momentos de dor e raiva, que vão criar problemas emocionais na criança, sobretudo se forem ditas de forma continua.   

Ataque de Pânico


O pânico é uma ansiedade aguda e extrema que é acompanhada por sintomas fisiológicos.

Os ataques de pânico podem ocorrer em qualquer tipo de ansiedade, geralmente como resposta a uma situação específica relacionada com as principais características da ansiedade. Por exemplo, uma pessoa com fobia às aranhas pode entrar em pânico quando encontra uma delas. No entanto, estas situações de pânico diferem das que são espontâneas, não provocadas e que são as que definem o problema como pânico patológico.

Os ataques de pânico são frequentes: mais de um terço dos adultos manifestam-nos todos os anos. As mulheres são entre duas a três vezes mais propensas a ter ataques de pânico. A perturbação de pânico é pouco corrente e diagnostica-se em pouco menos de 1 % da população. O pânico patológico começa geralmente na adolescência tardia ou cedo na idade adulta. 

O ataque de pânico geralmente está associado a outras perturbações da ansiedade tais como fobias (fobia social, agorafobia, fobia especifica) perturbação aguda de stress, perturbação obsessiva compulsiva, ansiedade induzida por substâncias. 

A característica essencial de um ataque de pânico é um período distinto de desconforto ou medo intensos, acompanhado por um conjunto de sintomas somáticos e cognitivos.
O ataque de pânico desenvolve os sintomas de forma abrupta e atinge o seu pico em dez minutos.  

Os sintomas de um ataque de pânico são os seguintes:
Palpitações, suores, estremecimentos ou tremores, dificuldades em respirar, sensação de sufoco, desconforto ou dor no peito, náuseas ou mal-estar abdominal, sensação de tontura, de desequilíbrio, de cabeça oca ou de desmaio, desrealização, sentir-se desligado de si próprio, medo de perder o controlo ou enlouquecer, medo de morrer, entorpecimentos e formigueiros, sensação de frio ou de calor.
Causas do pânico
A teoria psicanalítica afirma que as crises de pânico têm origem no escape de processos mentais inconscientes até então reprimidos. Quando existe no inconsciente uma ideia, ou um desejo, ou uma emoção com o qual o indivíduo não consegue lidar, as estruturas mentais trabalham de forma a manter esse processo fora da consciência do indivíduo. Contudo quando o processo é muito forte ou quando os mecanismos de defesa enfraquecem, os processos reprimidos podem surgir "sem aviso prévio" na consciência do indivíduo pela crise de pânico. A mente nesse caso trabalha no sentido de mascarar a crise de tal forma que o indivíduo continue sem perceber conscientemente o que de fato está acontecendo consigo. Por exemplo o indivíduo tem uma atracção física por uma pessoa com quem não pode estabelecer contacto. Este desejo então fica reprimido porque a real manifestação dele causaria intensa repulsa, raiva ou nojo de si próprio. Para que esses sentimentos negativos permanecem longe da consciência a estrutura mental do indivíduo mantém o desejo reprimido. Caso esse desejo surja apesar do esforço por reprimir, o aparelho mental transforma o desejo noutra imagem, podendo esta ser uma crise de pânico. 
Uma vez que o equilíbrio mental foi ameaçado o funcionamento mental inconsciente transforma o conteúdo da repressão numa crise de pânico. As situações de desamparo (real ou imaginário) vividas na infância estão também na origem da ansiedade e do pânico.

Existem outras correntes teóricas explicativas do pânico e da ansiedade, bem como diversas terapias que ajudam na cura desta doença.

Tratamento do ataque de pânico
O tratamento do pânico em situações paralisantes deve ser feito com a ajuda de psicofarmacos, para que o alívio dos sintomas seja imediato. Além disso, a psicoterapia psicanalítica pode ajudar a resolver qualquer conflito psicológico subjacente aos sentimentos e aos comportamentos ansiosos. Se esse é o seu caso procure ajuda psicoterapêutica.

sábado, 7 de abril de 2012

Bebés deprimidos

Em Portugal, entre 15 e 20 por cento dos bebés até os três anos que frequentam consultas da primeira infância sofrem de depressão, segundo dados de pedopsiquiatria dos hospitais.

Há a necessidade de os pais estarem atentos aos sinais. Os chamados «sintomas ruidosos», como a inquietude e a hiperactividade, são os mais frequentes da doença, apesar de os pais não os associarem frequentemente à possibilidade de o bebé estar deprimido. O bebé que chora muito sem motivo aparente (não tem fome, frio/calor, dores) poderá estar a dar sinais de depressão.

A depressão nos bebés é provocada por «acontecimentos negativos na sua história relacional, nomeadamente descontinuidades na relação com a mãe, rupturas, perdas, má prestação de cuidados, abandono e indisponibilidade dos prestadores de cuidados terem trocas afectivas positivas com o bebé. Mães ou cuidadores muito deprimidos não tem disponibilidade afectiva para estimular a criança e dar-lhe afecto. O bebé não deprime senão em função da depressão materna muitas vezes deprimida há longo tempo. Tudo o que a relação gera (inclusive a partir da vida uterina) tem uma preponderância essencial no comportamento dos bebés, podendo condicionar as competências inatas do bebé. A mãe interage com o seu filho se tiver competências emocionais para tal, mas, o bebé também estimula a mãe a interagir com ele (Eduardo Sá, 2003). Quando a relação já foi “mortiça” na gravidez então poderá ser mais difícil depois do nascimento. Não é invulgar ouvir mães a queixarem-se que os seus bebés choram muito, que estão desesperadas sem saber o que fazer …
Bebés deprimidos também está longe de ser um problema dos tempos modernos, apenas hoje os técnicos sabem mais e estão mais atentos ao problema e habilitados a reconhecer os sintomas, que podem manifestar-se de formas muito diferentes e, muitas vezes, são confundidos com outras causas e não associados à depressão.

Em situações de depressão do bebé, resta fazer um trabalho psicoterapêutico com a mãe (quase de certeza deprimida também) e com o bebé adequando aos poucos a relação maternal às necessidades do bebé. Quando trabalho não é feito, mais tarde, na infância ou na adolescência, podem surgir vários problemas derivados da depressão. São o caso das crianças distraídas, hiperactivas (sem lesão neurológica) agressivas, predispostas a acidentes, com fracos resultados escolares, e dos adolescentes que cedo começam a consumir drogas e enveredam por uma vida de delinquência. A consulta de psicologia do bebé faz, assim, todo o sentido. Se o seu filho apresenta sinais de desconforto e irrequietude, não dorme, mama mal ou rejeita o biberão, chora muito, poderá estar deprimido.