“ A vida mental do bébe é despertada e animada pelo desejo entusiástico, a paixão dos pais. Senão existir um investimento parental, a mente do bébe não se desenvolve…o instinto de vida esmorece…é uma sobrevivência apática e abúlica…”

Georges Mauco (1978)

sábado, 14 de abril de 2012

Depressão e tratamento

A depressão é uma doença do foro psicológico que afecta todo o organismo humano, ou seja, afecta o físico e o psíquico. Assim, a pessoa deprimida poderá ter sintomas físicos que por vezes são diagnosticados como sendo outras doenças, conduzindo a que a pessoa passe anos a correr de médico para médico, fazendo todo o tipo de exames de diagnóstico que nunca dão nada, podendo tornar-se ao longo dos anos num doente crónico. O que acontece muitas vezes é as depressão ser diagnosticada como sendo uma fibromialgia (a fibromialgia é uma depressão major com somatizações) e a pessoa ser medicada com analgésicos e antidepressivos durante os períodos em que as somatizações estão mais presentes, ou seja, quando a pessoa está gravemente deprimida. Esses sintomas físicos podem ser:
·         Dores de cabeça, nos membros superiores e inferiores, dorso, formigueiros no corpo, extremidades e cabeça, dores de estômago e transtornos intestinais.
·         Sensação de esvaimento
·         Insónias recorrentes
·         Fadiga
·         Falta de apetite ou apetite excessivo
Por outro lado existem sintomas psicológicos que são marcadores da depressão. Esses sintomas são:
·         Sentimentos de culpa (a pessoa sente-se culpada de tudo, atribui a si a culpa de tudo o que acontece à sua volta.
·         Baixa autoestima ( está desvalorizada e sente que ninguém a aprecia)
·         Falta de desejo sexual ( perde o interesse no companheiro(a) podendo esse facto ser motivo de discórdia no casal agravando mais o estado da pessoa)

As pessoas deprimidas apresentam um ar descuidado e perderam o interesse na vida.
 São estes os principais sintomas de depressão. No entanto é necessário distinguir entre tristeza e depressão, uma vez que a tristeza è pontual e sempre relacionada com algum acontecimento de vida (morte de familiar, perda de emprego, conflitos interpessoais entre outros) e, quando resolvido o problema, a tristeza cessa.

A depressão é uma doença relacionada com a falta de afecto (amor) e ao contrário do que as farmacêuticas querem fazer crer, tem tratamento sem medicação, em todas as idades. Claro que o prognostico é tanto mais favorável quanto mais cedo for detectada. Num jovem deprimido as melhoras são rápidas, numa pessoa com mais de cinquenta anos poderá levar mais um tempo. 

Porque é que as pessoas ficam deprimidas?

Porque numa fase da sua vida ( na infância) se sentiram pouco amados, valorizados e até injustiçados. Essa magoa que vai crescendo com a pessoa, um dia atinge o pico da dor mental e faz com que a pessoa adoeça. Os sintomas físicos e psicológicos aparecem.  A expressão biológica da doença são as alterações neuronais que tem expressão somática ( no corpo) o que faz com que se pense que a doença é física. Também é, mas sobretudo é psíquica. O depressivo adoeceu por ter tido uma relação afectiva pobre, carente de afecto e rica em desvalorizações e culpabilidade.  Adoeceu pela relação e cura-se pela relação, uma relação terapêutica oblativa (que dá) e promotora de autonomia. Por isso ,o tratamento da depressão tem sempre que incluir psicoterapia que pode ser de várias correntes (psicanalítica, comportamental, cognitiva, construtiva…) não estando uma mais certa que a outra, mas devendo a pessoa escolher aquela que lhe faz mais sentido. Nem todas as pessoas se adequam a todos os tipos de terapia.
Na avaliação do caso o psicoterapeuta credenciado (Membro de uma Sociedade Cientifica) deverá perceber qual o tipo de terapia que se aplica ao paciente e esclarece-lo sobre os diversos tipos de tratamento. Se perceber que o paciente não se enquadra na terapia em que tem formação e a qual pratica, deverá encaminhar para um colega da área.
Portanto, o tratamento da depressão é feito com psicoterapia e eventualmente com antidepressivos, se for necessário, porque está comprovado cientificamente que ao fim de algumas sessões de psicoterapia há uma redução significativa dos sintomas físicos e psicológicos.
Outro mito que importa esclarecer é o referente às terapias alternativas. Dizer que fazer acupunctura, reiki, ioga, correntes, entre outras ofertas que proliferam no mercado, a pessoa se está a curar da depressão, é falso. Essas terapias poderão ser aconselhadas a quem não tem qualquer tipo de problema. A depressão é um problema mental e como tal é tratado por técnicos de saúde mental (psicoterapeutas e psiquiatras), nunca por outro tipo de terapias. O risco de enveredar por terapias alternativas é um preço alto a pagar, uma vez que o problema se poderá agravar e vai gastar dinheiro à toa.  A depressão é uma doença que poderá levar ao suicídio, como tal, familiares e amigos deverão estar atentos quando detectarem sinais em alguém próximo, e encorajar a pessoa a procurar tratamento.
A depressão não passa com o tempo, tende a agravar-se até que o ciclo seja interrompido num tratamento psicoterapêutico, numa relação terapêutica contentora, aberta e promotora do crescimento mental, como refere Coimbra de Matos(2001) .
Quanto mais cedo se detectar a doença mais fácil e rápido é o tratamento, sendo a remissão dos sintomas, por vezes até bastante rápida. Não dê conselhos generalistas a pessoas deprimidas do tipo “ Deixa lá, amanha tudo melhora”, isso só aumenta a desesperança da pessoa, que já perdeu a fé em tudo, sobretudo nas pessoas. Não incentive a ler livros de auto-ajuda tipo “O segredo”, livros desse género pioram a auto-estima pessoal, uma vez que deixam claro que a pessoa muda se quiser. Ninguém muda a forma de pensar sozinho, quando está deprimido. A mudança terá sempre que ser feita com uma nova relação, a relação psicoterapêutica (paciente e psicoterapeuta) e num espaço de relação diferente. 
É um tratamento que requer um investimento de tempo e de dinheiro?
É, mas se pensar nas horas de trabalho que a pessoas perde por ano por estar doente, na degradação da saúde física e mental, na solidão que vai tendo porque os outros se afastam, então é um "seguro de saúde" que fica para o resto da sua vida. A psicoterapia é um investimento com garantias de sucesso.   
Quanto tempo pode durar uma psicoterapia?
Depende do que a pessoa quer alcançar. A remissão dos sintomas faz-se em poucos meses. A consolidação dos resultados pode ir até uma ano ou mais. 
Outra alternativa é a pessoa fazer uma psicoterapia breve ( cerca de 20 sessões) e atingir um nível de funcionamento bom que lhe permita viver bem. É um tratamento mais curto e mais focalizado nos sintomas.

Se esse é o seu caso procure ajuda.

domingo, 8 de abril de 2012

Ansiedade da criança e do lactente

A emergência ansiosa constitui para a criança, assim como para o adulto, a porta de entrada para a maioria dos comportamentos psicopatológicos. 
A ansiedade de separação, dita desenvolvimental, uma vez que quase todas as crianças a manifestam sempre que existe um afastamento da mãe (transição para a pré-escola, infantário) é muita vez confundida com a angústia de separação, dita patológica e, na verdade são duas coisas diferentes.
A ansiedade é um afecto penoso associado a uma atitude de espera de um acontecimento imprevisto mas vivido como desagradável.
A angústia é uma sensação de extremo mal-estar acompanhada de manifestações somáticas (dores de barriga, vómitos, dores de cabeça, dificuldades em dormir) e nos bebés traduz-se por noites agitadas com choro intenso ou intermitente, dificuldade em aninhar-se no colo materno, recusa do alimento e doenças físicas frequentes.
O medo (ligado à ansiedade e à angustia) traduz-se por uma emoção de extrema ansiedade e angustia normalmente associado a um objecto ou situação precisa e que se deve a situações de experiência vivida ou de educação.
Nas crianças pequenas sinais de ansiedade passam muitas vezes despercebidos aos pais e são desvalorizados na sua maioria podendo mesmo ser confundidos com caprichos. 

Os sinais de ansiedade e angústia graves são:

Receios com o futuro, medo de acidentes, irritabilidade, cólera, recusa escolar, exigência de ter um adulto por perto, de ser tranquilizada, receios a propósito de atitudes passadas (“ fiz mal…”), desvalorização, culpabilidade, palpitações, taquicardia, dores no troco e abdominais, náuseas. Estes sintomas podem aparecer em crises agudas sempre que haja uma mudança na vida da criança. 

No lactente os sintomas são: gritos e choro intenso com descargas motoras desorganizadas, hipervigilancia (rosto imóvel, silencioso, atento como se tivesse congelado), projecção da cabeça para traz ou do tronco quando o adulto tenta acalmar a criança, incapacidade de anichar-se no colo do adulto apesar dos esforços deste. 

Os sintomas somáticos no bebé são sobretudo anorexia (recusa em alimentar-se), cólicas intensas, e sobretudo dificuldades, por parte do bebé em encontrar um ritmo de sono regular, podendo surgir as famosas más noites que os pais falam e esperam que passe com o tempo atribuindo o facto ao mau feitio da criança. 

Tratamento – em ambas as situações, criança pequena e lactente o tratamento adequado é um trabalho psicoterapêutico (feito por um psicoterapeuta treinado) de maternagem (ajuda à mãe na interacção com o bebé), ou, se a criança for mais crescida ( 4,5,10…anos) uma psicoterapia de algum tempo para que na vida adulta a criança tenha uma qualidade vida melhor e , até, evitar problemas escolares e de integração social futuros.  Se a ansiedade não for tratada a criança será um adulto ansioso e deprimido na maioria das situações.

Terapia de casal

As relações amorosas provocam muitas vezes insatisfação aos seus membros, quer pelo arrefecimento de sentimentos quer pelo desgaste contínuo provocado pelas exigências familiares e profissionais.

O sentimento de não se ser tão próximo ou tão compreendido e gostado como antes pode levar a um afastamento e aumento dos conflitos entre o casal, parecendo antes que os seus membros amadureceram em sentidos opostos, não reconhecendo o parceiro por quem se apaixonaram. É possível que aumentem os desacordos e se alterem necessidades ou ambições, o que progressivamente vai justificando maior afastamento e eventualmente a ruptura.

Contudo, há muitas vezes o desejo e a esperança de resgatar os sentimentos iniciais, a cumplicidade e o romance que se foi perdendo com o tempo. As tensões e vivências negativas que entretanto se acumularam podem dificultar este trabalho, pelo que é necessário recorrer à Terapia de Casal, como forma de restabelecer os laços e prevenir novas crises.
É frequente encontrarmos sintomas e problemas de saúde física associados ao mau funcionamento da relação, com impacto noutras esferas da vida, nomeadamente a nível profissional e na relação com os filhos. Entre eles a depressão, ansiedade, descontrolo emocional, insónias, desorganização e diminuição na produtividade laboral são os mais frequentes.

 A Terapia de Casal é um serviço de apoio e aconselhamento destinado aos casais que, tendo ou não dificuldades específicas, pretendem trabalhar na melhoria da relação ou na exploração quanto à viabilidade da mesma.

A Terapia de casal permite ao casal compreender as razões do seu desacordo. As sessões proporcionam um ambiente de dialogo aberto em que cada individuo pode expressar os seus sentimentos e necessidades, escutar e ponderar de forma diferente sobre as razões do outro.

O terapeuta auxilia na identificação de factores conscientes e inconscientes que provocam o mal-estar e na avaliação dos recursos disponíveis para resolver a discórdia. Procura-se colaborar com vista a encontrar soluções satisfatórias para ambos.

Durante as sessões o psicoterapeuta vai atendendo não só ao motivo da procura de ajuda mas também às necessidades cambiantes de cada um dos parceiros para que restabeleçam vínculos maduros, duradouros e satisfatórios para ambos. Através do trabalho terapêutico os casais vão conseguindo aceitar mutuamente as diferenças e implementar as mudanças necessárias ao seu bem-estar.

A terapia de casal pode ajudar sempre que: 
  • Existam dificuldades de comunicação entre o casal e ou discussões frequentes
  • Quando um dos parceiros foi infiel e o casal tem dificuldade em lidar com a situação
  • Sentimentos de desconfiança ou situações de infidelidade
  • Quando ambos sentem que estão próximos da ruptura  
  • Quando existem conflitos motivados por ciúmes  
  • Quando a rotina fez desaparecer a paixão  
  • Insatisfação ou dificuldades no relacionamento sexual 
  • Quando existem conflitos persistentes de qualquer tipo  
  • Insatisfação com a qualidade da relação amorosa 
  • Afastamento de um ou ambos os parceiros
  • Situações críticas (morte, doença grave, desemprego, infertilidade)
  • Dificuldades e incongruências na educação dos filhos
  • Dificuldades no relacionamento com as famílias de origem
 O bem-estar dos seus filhos é afectado pela qualidade do seu casamento. Quando o pai e a mãe têm uma relação amorosa feliz, os filhos crescem também mais felizes.

Procure ajuda de um terapeuta de casal e dê à sua relação, e à sua família uma nova oportunidade! 

A infidelidade dos pais vivida pelos filhos


Descobrir que o pai trai a mãe ou o contrario é uma situação aterradora para qualquer criança ou adolescente e até mesmo para um adulto. O conflito de lealdade aparece misturado com a mágoa e com a raiva. O pai traiu a mãe (ou o contrário), mas se o filho ou filha for adolescente, também se sente traído. Na adolescência é necessário os pais terem uma relação sólida para darem segurança ao jovem. Se a traição acontecer numa fase em que o pai é muito importante e idealizado, então é um desgosto enorme para a criança, pelo seu egocentrismo pode até pensar que a culpa foi sua. Portanto, é sempre uma situação que envolve muito sofrimento seja qual for a faixa etária do filho ou filha.  
Optar por não contar põe o adolescente numa situação em que se sente que está a trair o pai ou a mãe. Se conta, está a trair o progenitor que cometeu o acto e a situação não é melhor. Este conflito é comum em situações que me tem chegado ao consultório. Em ambas as situações os adolescentes ficam muito abalados emocionalmente, adoecendo por vezes, sem que a família desconfie do que se passa, sobretudo quando esse segredo é guardado a sete chaves no seu interior. Em algumas situações é o medo de perder os pais, perder o seu afecto, que leva a que o adolescente não confronte a família com a situação. Em alguns casos, a traição é consentânea, ou seja, o traído sabe, mas finge que não sabe para preservar a familiar, por dependência económica, por razões que se prendem com o funcionamento interno da pessoa entre outras situações. O único que não sabe é o adolescente.
Dizia-me um dia uma adolescente acerca da traição do pai à mãe “ a minha mãe perdoou mas eu não consigo, como é que eu vou confiar num homem um dia? São todos iguais.”
E é este tipo de dilemas que se levantam. A confiança no progenitor perde-se, o adolescente sente-se traído e preso num conflito que não é seu e o seu futuro amoroso poderá estar comprometido.
Uma mulher adulta em terapia dizia muitas vezes “ eu não consigo suportar a traição, a minha mãe traiu o meu pai durante anos e eu assisti a tudo calada, sofri imenso, mas não queria ficar sem a minha família, mas não suporto olhar para ele, faz-me lembrar o que eu passei”.

O que é dos pais não diz respeito aos filhos, nomeadamente a relação dos dois, é saudável que a relação esteja limitada internamente. No entanto os filhos são sempre muito atentos à relação dos pais, é um modelo para a sua vida futura. Quando um adolescente ou adulto jovem se vê confrontado com a situação de traição do pai ou da mãe e melhor atitude é confrontar o progenitor implicado e imputar-lhe a responsabilidade de resolver ele ou ela a situação. Assim, fica liberto internamente e não guarda para si a responsabilidade do segredo, ou de se sentir desleal com a mãe ou o pai. O ideal seria o traidor resolver a situação da melhor forma. A melhor forma não existe em compêndios, é sempre adaptada á situação, à família e às próprias pessoas. Cada um encontrará a forma mais adequada de resolver o dilema.
Nunca se deve pressionar a (o) jovem a contar. O que acontece muitas vezes é que a descoberta dessa traição é no seio da sociedade, nomeadamente em cidades pequenas em que todos se conhecem. Há sempre alguém, muito bem-intencionado que quase pressiona a(o) jovem a faze-lo. Essa é uma decisão que não compete a terceiros, quanto muito ajudar a perceber sentimentos e libertar o filho(a) dessa responsabilidade. O que se passa entre os pais é deles, embora diga respeito ao filho(a). Fingir que não sabe poderá trazer mais conflitos, por isso confrontar o pai ou mãe é sempre a melhor opção e deixar essa responsabilidade para os dois resolverem. Claro que uma situação de traição na família deixa sempre uma marca nas relações futuras do adolescente. A insegurança nas relações futuras e a desconfiança poderão ser sombras que ficaram dessa altura. Quase sempre a melhor opção é procurar ajuda psicoterapêutica para ajudar a separar e compreender as coisas dois pais das suas. Aconteceu aos pais, não quer dizer que lhe vá acontecer. As pessoas e as situações são diferentes.
Quando a criança é pequena, é diferente. Quase sempre sabe pelo pai ou pela mãe e atribui muitas vezes a culpa a si própria. Isso acontece devido ao seu egocentrismo, próprio da idade e ai cabe ao pai e mãe fazer com que se sinta segura e certa que os pais continuam a gostar dela.  Quando a criança é pequena o que acontece com mais frequência é o pai ou mãe traído tentar desviar a criança do convívio do outro, utilizando a criança para retaliar. Situações dessas devem ser evitadas porque deixam a criança presa no conflito a quem ser leal, alem de muitas vezes atribuírem a culpa a sim nomeadamente se a criança tem menos de 9/10 anos e ainda não consegue descentrar-se de si própria. Nestas idades convêm deixar claro que o pai ou a mãe, caso se separem em consequência da traição, gostam da criança, apesar de não gostarem mais um do outro. Nunca fazer chantagem com a criança e dizer coisas do tipo “ se vais com o pai/mãe já não gosto de ti” ou “ a mãe/pai tem outra pessoa, já não gosta de nós”. São frases deste género, ditas em momentos de dor e raiva, que vão criar problemas emocionais na criança, sobretudo se forem ditas de forma continua.   

Ataque de Pânico


O pânico é uma ansiedade aguda e extrema que é acompanhada por sintomas fisiológicos.

Os ataques de pânico podem ocorrer em qualquer tipo de ansiedade, geralmente como resposta a uma situação específica relacionada com as principais características da ansiedade. Por exemplo, uma pessoa com fobia às aranhas pode entrar em pânico quando encontra uma delas. No entanto, estas situações de pânico diferem das que são espontâneas, não provocadas e que são as que definem o problema como pânico patológico.

Os ataques de pânico são frequentes: mais de um terço dos adultos manifestam-nos todos os anos. As mulheres são entre duas a três vezes mais propensas a ter ataques de pânico. A perturbação de pânico é pouco corrente e diagnostica-se em pouco menos de 1 % da população. O pânico patológico começa geralmente na adolescência tardia ou cedo na idade adulta. 

O ataque de pânico geralmente está associado a outras perturbações da ansiedade tais como fobias (fobia social, agorafobia, fobia especifica) perturbação aguda de stress, perturbação obsessiva compulsiva, ansiedade induzida por substâncias. 

A característica essencial de um ataque de pânico é um período distinto de desconforto ou medo intensos, acompanhado por um conjunto de sintomas somáticos e cognitivos.
O ataque de pânico desenvolve os sintomas de forma abrupta e atinge o seu pico em dez minutos.  

Os sintomas de um ataque de pânico são os seguintes:
Palpitações, suores, estremecimentos ou tremores, dificuldades em respirar, sensação de sufoco, desconforto ou dor no peito, náuseas ou mal-estar abdominal, sensação de tontura, de desequilíbrio, de cabeça oca ou de desmaio, desrealização, sentir-se desligado de si próprio, medo de perder o controlo ou enlouquecer, medo de morrer, entorpecimentos e formigueiros, sensação de frio ou de calor.
Causas do pânico
A teoria psicanalítica afirma que as crises de pânico têm origem no escape de processos mentais inconscientes até então reprimidos. Quando existe no inconsciente uma ideia, ou um desejo, ou uma emoção com o qual o indivíduo não consegue lidar, as estruturas mentais trabalham de forma a manter esse processo fora da consciência do indivíduo. Contudo quando o processo é muito forte ou quando os mecanismos de defesa enfraquecem, os processos reprimidos podem surgir "sem aviso prévio" na consciência do indivíduo pela crise de pânico. A mente nesse caso trabalha no sentido de mascarar a crise de tal forma que o indivíduo continue sem perceber conscientemente o que de fato está acontecendo consigo. Por exemplo o indivíduo tem uma atracção física por uma pessoa com quem não pode estabelecer contacto. Este desejo então fica reprimido porque a real manifestação dele causaria intensa repulsa, raiva ou nojo de si próprio. Para que esses sentimentos negativos permanecem longe da consciência a estrutura mental do indivíduo mantém o desejo reprimido. Caso esse desejo surja apesar do esforço por reprimir, o aparelho mental transforma o desejo noutra imagem, podendo esta ser uma crise de pânico. 
Uma vez que o equilíbrio mental foi ameaçado o funcionamento mental inconsciente transforma o conteúdo da repressão numa crise de pânico. As situações de desamparo (real ou imaginário) vividas na infância estão também na origem da ansiedade e do pânico.

Existem outras correntes teóricas explicativas do pânico e da ansiedade, bem como diversas terapias que ajudam na cura desta doença.

Tratamento do ataque de pânico
O tratamento do pânico em situações paralisantes deve ser feito com a ajuda de psicofarmacos, para que o alívio dos sintomas seja imediato. Além disso, a psicoterapia psicanalítica pode ajudar a resolver qualquer conflito psicológico subjacente aos sentimentos e aos comportamentos ansiosos. Se esse é o seu caso procure ajuda psicoterapêutica.