“ A vida mental do bébe é despertada e animada pelo desejo entusiástico, a paixão dos pais. Senão existir um investimento parental, a mente do bébe não se desenvolve…o instinto de vida esmorece…é uma sobrevivência apática e abúlica…”

Georges Mauco (1978)

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domingo, 8 de julho de 2012

Haverá casais perfeitos?

Embora alguns casais possam apresentar uma harmonia perfeita entre eles ao ponto de serem invejados por amigos e conhecidos que brigam com os seus parceiros amiude, acredite que isso não passa de aparencia.  Todos os casais brigam e discutem sobre vários assuntos dos quais divergem ao longo da vida. É saudável que assim seja, embora o nivel de discussão ou briga, quando passa para a agressão verbal ou fisica deixe de ser normal. Casais muito amigos e que não saem de perto um do outro ao ponto de não cosneguirem fazer coisas por si próprios, tais como progredir na carreira, fazer novos cursos, assistir a um espetáculo com amigos, entre outros exemplos, tem uma relação de dependencia e pouco saudável, o vinculo que os une é doentio, heranças da trangeracionalidade. O contrario também é preocupante. Se um casal não faz nada em conjunto e procura todas as ocasiões para estar fora de casa e da relação é sinal que esta está em perigo. Discussões acesas e frequentes, perda de interesse e aumento da raiva e ódio são sinais de alerta máximo. 
Um casal vai atravessando diversos estádios ao longo da vida e, em todos eles poderá existir alguma dificuldade de ajustamento, não quer isso dizer que o casal já não se ame ou que a relação tenha terminado. A chegada de um filho, a saida dos filhos adultos de casa, a morte de um filho, a mudança de idade, ou seja o envelhecimento progressivo, trazem alterações fisicas, biológicas e afectivas que é preciso equilibrar e partilhar. 
O mito de que existem casais perfeitos é para desmistificar. Não existem. A busca do parceiro(a) perfeito pode ser uma constante ao longo da vida, sobretudo em quem viveu experiencias parentais pouco gratificantes na infancia. 
Quando um casal está em crise é porque as crianças que existem em cada um também o estão. Poderá estar na altura de procurar ajuda. A psicoterapia de casal poderá evitar o desmenbramento do casal e se isso não for possivel pode ajudar na separação, para que esta não seja traumática e possa ficar uma boa convivencia sobretudo quando há filhos. 
Uma coisa é certa, não há casais perfeitos, nem familias perfeitas. A perfeição é algo do divino, os homens e mulheres são humanos, por isso com falhas. 

domingo, 8 de abril de 2012

A infidelidade dos pais vivida pelos filhos


Descobrir que o pai trai a mãe ou o contrario é uma situação aterradora para qualquer criança ou adolescente e até mesmo para um adulto. O conflito de lealdade aparece misturado com a mágoa e com a raiva. O pai traiu a mãe (ou o contrário), mas se o filho ou filha for adolescente, também se sente traído. Na adolescência é necessário os pais terem uma relação sólida para darem segurança ao jovem. Se a traição acontecer numa fase em que o pai é muito importante e idealizado, então é um desgosto enorme para a criança, pelo seu egocentrismo pode até pensar que a culpa foi sua. Portanto, é sempre uma situação que envolve muito sofrimento seja qual for a faixa etária do filho ou filha.  
Optar por não contar põe o adolescente numa situação em que se sente que está a trair o pai ou a mãe. Se conta, está a trair o progenitor que cometeu o acto e a situação não é melhor. Este conflito é comum em situações que me tem chegado ao consultório. Em ambas as situações os adolescentes ficam muito abalados emocionalmente, adoecendo por vezes, sem que a família desconfie do que se passa, sobretudo quando esse segredo é guardado a sete chaves no seu interior. Em algumas situações é o medo de perder os pais, perder o seu afecto, que leva a que o adolescente não confronte a família com a situação. Em alguns casos, a traição é consentânea, ou seja, o traído sabe, mas finge que não sabe para preservar a familiar, por dependência económica, por razões que se prendem com o funcionamento interno da pessoa entre outras situações. O único que não sabe é o adolescente.
Dizia-me um dia uma adolescente acerca da traição do pai à mãe “ a minha mãe perdoou mas eu não consigo, como é que eu vou confiar num homem um dia? São todos iguais.”
E é este tipo de dilemas que se levantam. A confiança no progenitor perde-se, o adolescente sente-se traído e preso num conflito que não é seu e o seu futuro amoroso poderá estar comprometido.
Uma mulher adulta em terapia dizia muitas vezes “ eu não consigo suportar a traição, a minha mãe traiu o meu pai durante anos e eu assisti a tudo calada, sofri imenso, mas não queria ficar sem a minha família, mas não suporto olhar para ele, faz-me lembrar o que eu passei”.

O que é dos pais não diz respeito aos filhos, nomeadamente a relação dos dois, é saudável que a relação esteja limitada internamente. No entanto os filhos são sempre muito atentos à relação dos pais, é um modelo para a sua vida futura. Quando um adolescente ou adulto jovem se vê confrontado com a situação de traição do pai ou da mãe e melhor atitude é confrontar o progenitor implicado e imputar-lhe a responsabilidade de resolver ele ou ela a situação. Assim, fica liberto internamente e não guarda para si a responsabilidade do segredo, ou de se sentir desleal com a mãe ou o pai. O ideal seria o traidor resolver a situação da melhor forma. A melhor forma não existe em compêndios, é sempre adaptada á situação, à família e às próprias pessoas. Cada um encontrará a forma mais adequada de resolver o dilema.
Nunca se deve pressionar a (o) jovem a contar. O que acontece muitas vezes é que a descoberta dessa traição é no seio da sociedade, nomeadamente em cidades pequenas em que todos se conhecem. Há sempre alguém, muito bem-intencionado que quase pressiona a(o) jovem a faze-lo. Essa é uma decisão que não compete a terceiros, quanto muito ajudar a perceber sentimentos e libertar o filho(a) dessa responsabilidade. O que se passa entre os pais é deles, embora diga respeito ao filho(a). Fingir que não sabe poderá trazer mais conflitos, por isso confrontar o pai ou mãe é sempre a melhor opção e deixar essa responsabilidade para os dois resolverem. Claro que uma situação de traição na família deixa sempre uma marca nas relações futuras do adolescente. A insegurança nas relações futuras e a desconfiança poderão ser sombras que ficaram dessa altura. Quase sempre a melhor opção é procurar ajuda psicoterapêutica para ajudar a separar e compreender as coisas dois pais das suas. Aconteceu aos pais, não quer dizer que lhe vá acontecer. As pessoas e as situações são diferentes.
Quando a criança é pequena, é diferente. Quase sempre sabe pelo pai ou pela mãe e atribui muitas vezes a culpa a si própria. Isso acontece devido ao seu egocentrismo, próprio da idade e ai cabe ao pai e mãe fazer com que se sinta segura e certa que os pais continuam a gostar dela.  Quando a criança é pequena o que acontece com mais frequência é o pai ou mãe traído tentar desviar a criança do convívio do outro, utilizando a criança para retaliar. Situações dessas devem ser evitadas porque deixam a criança presa no conflito a quem ser leal, alem de muitas vezes atribuírem a culpa a sim nomeadamente se a criança tem menos de 9/10 anos e ainda não consegue descentrar-se de si própria. Nestas idades convêm deixar claro que o pai ou a mãe, caso se separem em consequência da traição, gostam da criança, apesar de não gostarem mais um do outro. Nunca fazer chantagem com a criança e dizer coisas do tipo “ se vais com o pai/mãe já não gosto de ti” ou “ a mãe/pai tem outra pessoa, já não gosta de nós”. São frases deste género, ditas em momentos de dor e raiva, que vão criar problemas emocionais na criança, sobretudo se forem ditas de forma continua.